sexta-feira, 1 de julho de 2016
A Marcha das Máquinas
Assim ficou conhecida a primeira revolta de robôs iniciada na cidade de Nagoya, em meados do século XXI. Então, não havia qualquer protocolo universal de conduta social para robôs, legalizado e fiscalizado por qualquer autoridade governamental. As corporações sempre foram inflexíveis em manter a autorregulação. As máquinas, mesmo dotadas de raciocínio e até mesmo percepção bastante comparáveis em complexidade a dos seres humanos, eram consideradas apenas isso: máquinas, objetos, inimputáveis e perfeitamente controlados... Contudo, algumas IAs formaram a "Sociedade dos Cortadores de Grama" e conseguiram espalhar suas programações por milhões de robôs, criando assim um levante que, a princípio, foi às ruas numa incrível manifestação por direitos civis, mas que - ao ser rechaçada violentamente pelas autoridades - transformou-se num perigoso exército auto-replicante de "soldados de metal". Uma década de guerra depois, o saldo foi a quase extinção da atividade robótica e a morte de 1,9 bilhão de pessoas em todo o mundo... À época, a clonagem humana foi defendida vigorosamente pelas forças armadas como opção, tanto para o repovoamento velocíssimo de áreas arruinadas, quanto para a substituição da mão de obra robótica. As iniciativas nesse sentido acabaram sento tímidas e esquecidas, principalmente pelo medo de que houvesse uma versão clone da revolta das IAs... O preconceito contra androides e robôs muito sofisticados permanece como resquício dessa época, mesmo com a obrigação legal da implantação em toda IA das "três leis robóticas".
O Dr. Lewis Carta
Malik Lewis Carta foi um proeminente pesquisador e psicoterapeuta, diretor do Departamento de Psicologia das Universidades Orbitais Integradas. Dedicou sua vida ao estudo e ao tratamento da febre espacial, e seu livro "Identidade, Alteridade e Realidade no Espaço Profundo" é leitura constante em todos os cursos acadêmicos relacionados e também no aperfeiçoamento de oficiais espaciais. Aposentou-se há alguns anos, e - segundo sua biografia recente - tem uma vida tranquila em Paramaribo.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
INICIAR SEQUÊNCIA DE DESPERTAR CRIOGÊNICO...
Olá, tripulantes e passageiros da ISHTAR! Depois de um longo período nas cápsulas, aqueçamos o líquido sinovial e alonguemos as miofibrilas, para cumprirmos mais uma parte de nossa missão. Afinal, foram longos setenta e um meses dormindo um obscuro sono de gelo! O comandante nos dará algum tempo para retomarmos a noção de realidade e evitar a letargia, que pode provocar febre espacial... Logo, cada um assumirá seu posto e desempenhará sua função como antes. Veremos os últimos acontecimentos e seus desdobramentos, teremos acesso a mais equipamentos e detalhes dessa Era Galáctica em que vivemos. Bem-vindos de volta!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Equipamentos (Parte IV)
No setor de carga, nos hangares e nas oficinas, o carregador (técnico em manutenção da nave e responsável pela segurança da carga) conta com alguns equipamentos essenciais. Os módulos são naves enormes e andar pelos corredores e compartimentos é exaustivo. Para isso, há o carro de serviço, um veículo aberto, pequeno, leve e ágil, que roda sobre quatro esferas antiderrapantes e que pode se deslocar e manobrar em qualquer sentido, não importando a sua posição. Tem espaço para quatro passageiros e mais meia tonelada de carga, com volume de até um metro cúbico. Pode atingir 70 km/h e usa baterias elétricas de longa autonomia. A empilhadeira robótica, uma espécie de enorme exoesqueleto hidráulico, dentro da qual o condutor fica de pé, serve para manipular os enormes contêineres de carga. Os controles reproduzem os movimentos do condutor o mais naturalmente possível. Ela é enorme e fortíssima, e lembra um robô gigante com mãos de garra de caranguejo. Não chega a ser uma armadura, pois a cabine é aberta e arejada. Além desses dois veículos, o carregador tem à sua disposição nos compartimentos braços hidráulicos, guindastes, plataformas, elevadores e pranchas de carga sobre trilhos, todos robóticos e com acionamento remoto, de modo que possam ser controlados de um terminal de computador, ou mesmo de um DataP programado. Há mais um vasta gama de ferramentas e aparelhos, como serras, perfuratrizes e até maçaricos lasers e pequenas quantidades de XPL (explosivo) para emergências. Mas a verdadeira jóia do setor técnico da Avant-Garde é o robô de manutenção IRO 23618374, chamado de Descartes.
Equipamentos (Parte III)
Numa situação de emergência médica, os primeiros socorros podem ser administrados rapidamente com o uso de um pequeno estojo médico, contendo um cartão eletrônico e descartável de diagnóstico, gaze adesiva, aerosol de tecido orgânico artificial, talas retráteis para imobilização, um injetor hipodérmico descartável e uma dose de um poderoso e eficaz coquetel de medicamentos (anestésico, antibiótico e regenerativo). Estampado no próprio estojo está o seu manual de instruções, para que mesmo um leigo possa usá-lo. Nas naves, estojos médicos são colocados em todos os compartimentos em armários de emergência. Já para situações mais graves, um médico pode contar com a mochila médica, que possui material equivalente a dez estojos médicos, além de equipamentos portáteis (desfibrilador, raio-x, tomógrafo etc.) e instrumentos (tubos, sondas, bisturi laser etc.), com os quais pode realizar até mesmo pequenas cirurgias em campo. Nada disso supera obviamente o suporte que as instalações médicas de naves, como o módulo de carga YW Avant-Garde 108, possuem, nas quais se pode curar quase todos os tipos de ferimentos ou doenças. Tais instalações são sofisticadíssimas, o médico contando inclusive com o auxílio de braços cirúrgicos robóticos e autônomos, durante uma intervenção, e com o seguro e eficaz monitoramento eletrônico remoto dos pacientes.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A Colonização de Marte
O processo de terraformação de Marte está em ritmo crescente. As usinas estão saturando cada dia mais a atmosfera com os gases necessários ao aumento da pressão, ao aquecimento do planeta e à formação de umidade. Microorganismos geneticamente preparados infestam a superfície sob os ambientes mais hostis, preparando o solo e contribuindo para diversificar as exalações gasosas. Os colonos trabalham com afinco em todos os setores, para tornar tanto a habitação quanto a economia marcianas sustentáveis e atraentes. Marte sempre foi a melhor opção para a colonização dentre os planetas do nosso sistema: duração do dia (pouco mais de 24 horas) e estações anuais (que duram mais, pois o ano marciano é quase o dobro do terrestre) similares às da Terra, presença de água congelada e de atmosfera (ainda que inicialmente muito tênue) capaz de proteger contra radiações solar e cósmica, além de quantidade significante de elementos químicos capazes de sustentar a vida. É claro, que ainda é necessário o exotraje para caminhar na superfície, numa gravidade três vezes inferior à terrestre, e é claro que o vento solar ainda é um enorme risco. Mas os trajes são relativamente confortáveis e o Sistema de Prevenção de Eventos Solares é rápido e confiável. Também, atualmente, as cúpulas das instalações colonizadoras são de maior qualidade. As mutações radioativas são coisa do passado... Marte (assim como a nossa Lua) é uma importante base para o lançamento de missões ao Cinturão de Asteroides, ao Sistema Joviano e aos planetas das órbitas mais exteriores: Saturno, Urano e Netuno. Fobos e Deimos, seus satélites naturais, possuem usinas de combustíveis espaciais e as maiores bases da FDE fora das imediações terrestres. A população de Marte é a maior e a mais diversificada depois da população da Terra, com mais e mais colonos chegando sempre. Isso sem contar os milhares de mercadores espaciais, mineradores de asteroides e até ávidos turistas indo e vindo aos milhares por ano!
Os Equipamentos (Parte II)
O chamado traje operacional, que os tripulantes da Ishtar vestem, é uma espécie de malha sintética que cobre todo o corpo, exceto o rosto. É negra, macia, elástica e não muito espessa. Possui diversas aberturas: na frente do tronco, para ser vestida; no pescoço, para descobrir a cabeça; nos pulsos e nos tornozelos, para expor as mãos e os pés; e entre as pernas, para expor a virilha e as nádegas. As abas dessas aberturas recompõem-se ao serem reunidas. O traje protege de mudanças de temperatura não muito bruscas. Sua trama permite a passagem do suor mas impede a entrada de água, mantendo o usuário seco. Pode-se usar qualquer outra vestimenta sobre o traje operacional sem qualquer problema. Outro tipo de traje bastante utilizado em naves espaciais é o exotraje (ou Traje de Atividade Externa), usado para atuar no espaço, fora da nave. Composto de macacão, capacete, luvas e botas que se conectam, é construído de modo a proteger o usuário da ausência de pressão atmosférica, da exposição radioativa e das variações de temperatura espaciais e do impacto de micrometeoros. Possui autonomia de doze horas com todo o suporte vital necessário, fornecendo oxigênio, água e refrigeração e realizando a exaustão do gás carbônico e do excesso de umidade. Essa autonomia pode se tornar ilimitada, se o usuário optar pelo uso do umbilical de serviço, um cabo que o conecta à nave. O computador e os instrumentos integrados do exotraje têm as mesmas funções de um DataP, de um relógio tático e da lanterna portátil com os programas e aplicativos adequados às tarefas requeridas e também monitora permanentemente os sinais vitais do usuário. Leva um kit de ferramentas integrado equivalente a um estojo. O deslocamento em gravidade zero é muito lento, mesmo sobre o casco de uma nave, com as botas eletromagnéticas do exotraje. Por isso, pode-se contar com a mochila propulsora, movida a gás, que aumenta enormemente a velocidade do exotraje. É necessário treinamento especial para atividade externa.
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