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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Equipamentos (Parte IV)

No setor de carga, nos hangares e nas oficinas, o carregador (técnico em manutenção da nave e responsável pela segurança da carga) conta com alguns equipamentos essenciais. Os módulos são naves enormes e andar pelos corredores e compartimentos é exaustivo. Para isso, há o carro de serviço, um veículo aberto, pequeno, leve e ágil, que roda sobre quatro esferas antiderrapantes e que pode se deslocar e manobrar em qualquer sentido, não importando a sua posição. Tem espaço para quatro passageiros e mais meia tonelada de carga, com volume de até um metro cúbico. Pode atingir 70 km/h e usa baterias elétricas de longa autonomia. A empilhadeira robótica, uma espécie de enorme exoesqueleto hidráulico, dentro da qual o condutor fica de pé, serve para manipular os enormes contêineres de carga. Os controles reproduzem os movimentos do condutor o mais naturalmente possível. Ela é enorme e fortíssima, e lembra um robô gigante com mãos de garra de caranguejo. Não chega a ser uma armadura, pois a cabine é aberta e arejada. Além desses dois veículos, o carregador tem à sua disposição nos compartimentos braços hidráulicos, guindastes, plataformas, elevadores e pranchas de carga sobre trilhos, todos robóticos e com acionamento remoto, de modo que possam ser controlados de um terminal de computador, ou mesmo de um DataP programado. Há mais um vasta gama de ferramentas e aparelhos, como serras, perfuratrizes e até maçaricos lasers e pequenas quantidades de XPL (explosivo) para emergências. Mas a verdadeira jóia do setor técnico da Avant-Garde é o robô de manutenção IRO 23618374, chamado de Descartes.

Equipamentos (Parte III)

Numa situação de emergência médica, os primeiros socorros podem ser administrados rapidamente com o uso de um pequeno estojo médico, contendo um cartão eletrônico e descartável de diagnóstico, gaze adesiva, aerosol de tecido orgânico artificial, talas retráteis para imobilização, um injetor hipodérmico descartável e uma dose de um poderoso e eficaz coquetel de medicamentos (anestésico, antibiótico e regenerativo). Estampado no próprio estojo está o seu manual de instruções, para que mesmo um leigo possa usá-lo. Nas naves, estojos médicos são colocados em todos os compartimentos em armários de emergência. Já para situações mais graves, um médico pode contar com a mochila médica, que possui material equivalente a dez estojos médicos, além de equipamentos portáteis (desfibrilador, raio-x, tomógrafo etc.) e instrumentos (tubos, sondas, bisturi laser etc.), com os quais pode realizar até mesmo pequenas cirurgias em campo. Nada disso supera obviamente o suporte que as instalações médicas de naves, como o módulo de carga YW Avant-Garde 108, possuem, nas quais se pode curar quase todos os tipos de ferimentos ou doenças. Tais instalações são sofisticadíssimas, o médico contando inclusive com o auxílio de braços cirúrgicos robóticos e autônomos, durante uma intervenção, e com o seguro e eficaz monitoramento eletrônico remoto dos pacientes.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Colonização de Marte

O processo de terraformação de Marte está em ritmo crescente. As usinas estão saturando cada dia mais a atmosfera com os gases necessários ao aumento da pressão, ao aquecimento do planeta e à formação de umidade. Microorganismos geneticamente preparados infestam a superfície sob os ambientes mais hostis, preparando o solo e contribuindo para diversificar as exalações gasosas. Os colonos trabalham com afinco em todos os setores, para tornar tanto a habitação quanto a economia marcianas sustentáveis e atraentes. Marte sempre foi a melhor opção para a colonização dentre os planetas do nosso sistema: duração do dia (pouco mais de 24 horas) e estações anuais (que duram mais, pois o ano marciano é quase o dobro do terrestre) similares às da Terra, presença de água congelada e de atmosfera (ainda que inicialmente muito tênue) capaz de proteger contra radiações solar e cósmica, além de quantidade significante de elementos químicos capazes de sustentar a vida. É claro, que ainda é necessário o exotraje para caminhar na superfície, numa gravidade três vezes inferior à terrestre, e é claro que o vento solar ainda é um enorme risco. Mas os trajes são relativamente confortáveis e o Sistema de Prevenção de Eventos Solares é rápido e confiável. Também, atualmente, as cúpulas das instalações colonizadoras são de maior qualidade. As mutações radioativas são coisa do passado... Marte (assim como a nossa Lua) é uma importante base para o lançamento de missões ao Cinturão de Asteroides, ao Sistema Joviano e aos planetas das órbitas mais exteriores: Saturno, Urano e Netuno. Fobos e Deimos, seus satélites naturais, possuem usinas de combustíveis espaciais e as maiores bases da FDE fora das imediações terrestres. A população de Marte é a maior e a mais diversificada depois da população da Terra, com mais e mais colonos chegando sempre. Isso sem contar os milhares de mercadores espaciais, mineradores de asteroides e até ávidos turistas indo e vindo aos milhares por ano!

Os Equipamentos (Parte II)

O chamado traje operacional, que os tripulantes da Ishtar vestem, é uma espécie de malha sintética que cobre todo o corpo, exceto o rosto. É negra, macia, elástica e não muito espessa. Possui diversas aberturas: na frente do tronco, para ser vestida; no pescoço, para descobrir a cabeça; nos pulsos e nos tornozelos, para expor as mãos e os pés; e entre as pernas, para expor a virilha e as nádegas. As abas dessas aberturas recompõem-se ao serem reunidas. O traje protege de mudanças de temperatura não muito bruscas. Sua trama permite a passagem do suor mas impede a entrada de água, mantendo o usuário seco. Pode-se usar qualquer outra vestimenta sobre o traje operacional sem qualquer problema. Outro tipo de traje bastante utilizado em naves espaciais é o exotraje (ou Traje de Atividade Externa), usado para atuar no espaço, fora da nave. Composto de macacão, capacete, luvas e botas que se conectam, é construído de modo a proteger o usuário da ausência de pressão atmosférica, da exposição radioativa e das variações de temperatura espaciais e do impacto de micrometeoros. Possui autonomia de doze horas com todo o suporte vital necessário, fornecendo oxigênio, água e refrigeração e realizando a exaustão do gás carbônico e do excesso de umidade. Essa autonomia pode se tornar ilimitada, se o usuário optar pelo uso do umbilical de serviço, um cabo que o conecta à nave. O computador e os instrumentos integrados do exotraje têm as mesmas funções de um DataP, de um relógio tático e da lanterna portátil com os programas e aplicativos adequados às tarefas requeridas e também monitora permanentemente os sinais vitais do usuário. Leva um kit de ferramentas integrado equivalente a um estojo. O deslocamento em gravidade zero é muito lento, mesmo sobre o casco de uma nave, com as botas eletromagnéticas do exotraje. Por isso, pode-se contar com a mochila propulsora, movida a gás, que aumenta enormemente a velocidade do exotraje. É necessário treinamento especial para atividade externa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Os Equipamentos (Parte I)

Diversos equipamentos sofisticados estão a disposição dos tripulantes de naves espaciais. Alguns são bastante populares em todos os lugares, como o DataP, que conjuga (numa lâmina plástica meio flexível de apenas três milímetros de espessura e demais dimensão similares às de um celular) as funções de comunicador de longa distância e de um computador pessoal de alta performance e grande capacidade de memória. O DataP é leve, resistente e à prova d'água; possui câmera, projetor e altofalantes integrados, além de variados acessórios, como fones e lentes de contato para interface 3D (ambos sem fio); entre seus muitos programas, há um tradutor universal simultâneo, que derruba qualquer barreira linguística; tudo isso pelo preço equivalente ao de um bom tablet. Os relógios ainda são utilizados, mas sempre em modelos precisos e contendo múltiplas funções, além das convencionais. O mais indicado para quem deseja estar preparado para tudo é o modelo tático da FDE, mas que é fornecido ao mercado civil sem restrições; possui magnetômetro planetário (com função similar à das bússolas), medidor de radioatividade, barômetro, sensor químico (que informa a toxidade atmosférica), radar de curto alcance (mais um detector de aproximação, na verdade), posicionador global e localizador de emergência. Bastante útil também é a lanterna portátil. Lembra um medalhão de uns cinco centímetros de diâmetro, tendo de um lado a lente emissora de luz e do outro um pegador escamoteável e ajustável, que permite aderir a lanterna a qualquer superfície razoavelmente lisa; é bastante potente e suas baterias permitem que permaneça acesa por semanas. Para possibilitar e auxiliar em pequenos e médios reparos, há duas modalidades de kits de ferramentas: o estojo e a caixa. No estojo de ferramentas, facilmente levado em um bolso largo ou algibeira, encontra-se os instrumentos básicos para reparos mais simples, como vários tipos de chaves fixas e múltiplas, alicate ajustável, sensores eletrônicos e um soldador de baixa potência (geralmente laser); é dificílimo realizar qualquer tarefa do gênero sem ele. Já na caixa, que parece uma pequena mochila, há quase todas as ferramentas portáteis necessárias a reparos mecânicos e eletrônicos, sua versatilidade sendo superada apenas por uma boa oficina.

domingo, 8 de agosto de 2010

A Estação Neith

Quase inexplorado economicamente, Vênus possui poucas instalações permanentes. A mais importante é a estação Neith. Com o porte de uma pequena cidade, orbita o planeta com finalidades de pesquisa, reabastecimento e patrulhamento. Dela, partem muitas missões a Mercúrio e à superfície venusiana. Como o calor (480 graus Celsius, de dia ou de noite), a pressão (90 atmosferas) e a intensa atividade vulcânica não permitem a colonização nem a manutenção de minas compensadoras, o planeta desperta principalmente interesse científico. Por outro lado, essa sua natureza inóspita e o seu tamanho (quase o da Terra) fazem dele um lugar dificílimo de controlar. O esconderijo perfeito para todo tipo de fora da lei. É notório covil de piratas, de mercenários e de terroristas. A Força de Defesa Espacial mantém um numeroso contingente e uma dezena de naves de média autonomia (entre caças bombardeiros e patrulhas) na estação Neith para coibir ações criminosas nas órbitas solares inferiores, fornecendo inclusive apoio a missões mercurianas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Sono Criogênico

Durante a maior parte da viagem da Ishtar, seus tripulantes e passageiros serão mantidos em sono criogênico. Dormirão em cápsulas chamadas criogênicas, nas quais suas temperatura e metabolismo corpóreos ficarão baixíssimos. Mesmo sua atividade cerebral será reduzidíssima; longos sonhos arrastados em câmera lenta preencherão suas mentes até que, próximo a seus destinos, serão gradativamente despertos. Mesmo entre pontos relativamente próximos, em que a viagem seria de apenas algumas semanas ou meses, é vantajoso entrar em sono criogênico para evitar o envelhecimento e também o tédio (e a missão da Ishtar pode durar toda uma vida!). Enquanto isso, quem controla os sistemas de navegação, de suporte vital e de emergência é o computador da nave. Leva algumas horas para que o corpo e a mente retornem à normalidade após esse tipo de processo. Tontura, náuseas, desorientação e fraqueza são inevitáveis; mas a intensidade dos sintomas varia de acordo com o físico de cada um. Também em casos de emergência, a tripulação é literalmente expulsa do seu sono (aí, os sintomas são piores) pelo computador para assumir seus postos de comando, como no caso de mal funcionamento do equipamento da nave, de colisão iminente e de aproximação hostil. O processo de sono criogênico é induzido quimicamente, além de controlado eletronicamente pela cápsula (temperatura e sinais vitais sempre monitorados), e é considerado bastante seguro e de poucos efeitos colaterais.

Dr. Tyko Bruno, Médico

A YW Avant-Garde 108 já tem seu oficial médico. O simpático neurocirurgião Tyko Bruno assumiu o posto. Nascido e criado na Lua, junto com seu irmão mais jovem Kristian, tem a ambição de se tornar medico-chefe na Ishtar. Uma das maiores qualidades de Tyko é também seu maior defeito: ele se importa verdadeiramente com seus pacientes. E apesar de marcado pela tragédia de ter perdido os pais num acidente na Terra, mantém um espírito alegre e brincalhão. Detesta mentiras e leva seu trabalho muito a sério. Assim como o navegador Kobi, tem pouca experiência em viagem interplanetárias, mas promete ser de indispensável valia na Avant-Garde e talvez em toda a Ishtar... Falta ocupar agora os cargos de piloto e carregador.

domingo, 1 de agosto de 2010

O Estaleiro Wieland

Na órbita de Mercúrio, com matéria-prima desse mesmo planeta, foi construída a Ishtar. O Estaleiro Wieland é uma enorme estação orbital automatizada, com pouca tripulação técnica, mas bem vigiada por um destacamento da Força de Defesa Espacial. Os minérios são extraídos do solo mercuriano por gigantescos robôs mineradores e levados diretamente para as fundições solares. Nessas usinas, instaladas no polo norte do planeta e alimentadas pelo poderoso vento solar captado por quilômetros de painéis, são produzidos os componentes estruturais, os componentes internos, o revestimento e os materiais para os equipamentos essenciais das espaçonaves. As instalações mercurianas, tanto as de solo quanto as orbitais, valem-se da abundante energia solar, rica em plasma de elétrons e prótons, e do também abundante gelo oculto das crateras de meteoritos e de cometas. A conexão entre Mercúrio e Wieland é feita pelas naves de carga Stilbon, Hermaon, Wotan e Chen-Hsing. A FDE realiza suas patrulhas com as naves Von Braun, Chatal Huyuk, Goddard e Giordano. Equipes de mineração mapeiam frequentemente novas áreas ricas em minérios úteis. O trabalho de prospecção em Mercúrio é financeiramente muito gratificante. Mas vê-se que é justificado. Seus comboios marcham cuidadosamente sob uma gravidade três vezes inferior à da Terra e sob variações térmicas de mais de 400 graus Celsius positivos (o dia solar em Mercúrio dura 176 dias terrestres) e menos de 180 negativos (à noite), numa atmosfera quase inexistente, auxiliados somente por seus robôs e seus enormes trajes de serviço externo (verdadeiras armaduras robóticas!). O bombardeio solar (vento e marés) causa tempestades magnéticas frequentes que simplesmente impossibilitam a comunicação por rádio. O isolamento acidental é comum. Muitas equipes precisam ser resgatadas pela FDE e várias missões acabam em tragédia. Sem falar nos piratas espaciais que visitam frequentemente Mercúrio...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Clonagem Humana

A manipulação genética é largamente difundida em quase todos os setores da sociedade, especialmente na Medicina. A legislação que a rege é bastante precisa e bem estruturada, prevendo punição severa (reclusão e multas) contra as transgressões. Atualmente, a clonagem de seres humanos é expressamente proibida! À época em que as variedades de Homo sapiens foram desenvolvidas, a clonagem era muito comum. Clones eram usados como operários em ambientes perigosos, como combatentes em missões suicidas, como doadores de órgãos etc. Então, muitos incidentes ocorriam, como roubo de identidades, conspirações, manifestações populares e até trabalho escravo e suas consequentes revoltas. Mesmo o desenvolvimento de novas variedades de Homo sapiens foram interrompidas e posteriormente proibidas, e assim está até hoje. Obviamente, há muitos cientistas que mantêm pesquisas proibidas, às vezes em locais longínquos. Resultados bizarros surgem dessas experiências, e os militares são designados para eliminá-los e capturar os responsáveis.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Os Biônicos

O suporte médico da Ishtar e dos Módulos de Carga é de tal maneira completo que a perda total de um órgão ou membro pode ser compensada com o transplante daquela parte clonada do próprio paciente em algumas semanas. As próteses biônicas, mais baratas que partes orgânicas clonadas, são mais usadas em casos emergenciais, provisórios ou por pessoas com menor poder aquisitivo (planos de saúde diferenciados ainda existem). Além de corações, rins, pulmões etc., existe grande variedade de biônicos disponível. Implantes biônicos são muito menos confortáveis, mas há quem os prefira por vantagens adicionais. Há olhos biônicos capazes de enxergar diferentes tipos de espectro luminoso. Ouvidos e narinas biônicas têm uma capacidade sensorial ampliadíssima. Membros biônicos podem conter numerosos apetrechos tecnológicos úteis embutidos: computadores, sensores, armas, comunicadores, compartimentos etc. Esses mesmos membros podem ter força e reflexos bem maiores que os orgânicos (militares adoram!). Diversos tipos de isolamento e até mesmo blindagem podem ser implantadas sobre ou sob a epiderme. Boa parte dos biônicos reproduz a sensação de tato, com a vantagem de não reproduzir a sensação de dor; no entanto, não são capazes de reproduzir todo o prazer do toque humano. A Psicologia já comprovou distúrbios provocados pelo excesso de biônicos, desde complexos de inferioridade, passando pela depressão (bastante comum), até megalomania, paranóia e esquizofrenia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

As Postagens e Os Comentários

Longe de mim aparentar especialidade em blogs (ou mesmo em qualquer atividade informatizada) e espero também não acabar sendo óbvio! Mas a pouquíssima experiência adquirida sobre o tema me permitiu perceber algumas coisas: 1) blogs são um ótimo exercício de escrita; 2) são mais divertidos que Orkut, Twitter e similares (opinião muito pessoal minha); e 3) acompanhar os comentários às postagens é fundamental! No caso do Astrocargueiro Ishtar, muitas informações são e serão complementadas nos comentários aos comentários das postagens. Posso dizer que essa "fragmentação" é também uma 4ª característica que percebi sobre blogs, e talvez a mais interessante... De qualquer forma, leitor, acompanhe os comentários com a mesma disposição usada com as postagens. Sei que, assim como algumas postagens, certos comentários não serão tão instigantes ou até mesmo bons (novamente, longe de mim aparentar especialidade na escrita!), mas ao menos não serão patéticos como se vê por aí (todos são moderados). Boa leitura e muito obrigado!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Kobi Tatum, Navegador

Um dos mais jovens astrônomos já graduados, o precoce Kobi Tatum, de apenas dezesseis anos, é o navegador do módulo de carga YW Avant-Garde 108 do astrocargueiro Ishtar. Vindo de Europa, no Sistema Joviano, Kobi é filho de xenobiólogos que vivem no oceano abaixo da superfície gelada do satélite. Acadêmico premiado, com um futuro promissor no campo das pesquisas, por algum motivo decidiu preencher uma vaga subalterna numa missão colonizadora. Seu temperamento tranquilo e amigável faz dele um bom companheiro de trabalho. Parece gostar muito de conversar e é um bom ouvinte. Fora de seu horário de serviço e vigília, Kobi tenta desenvolver melhorias em equipamentos de monitoramento e comunicação espacial. Detesta que o julguem ou o controlem por sua idade. Para ele, idade não quer dizer necessariamente experiência. Apesar de extremamente competente em sua área, pesa contra Kobi o fato de realmente não ter qualquer experiência em exploração espacial.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Inteligência Artificial

Insatisfeitos com a solidão do universo, usamos nossa capacidade de dar vida a nossa própria existência e criamos a Inteligência Artificial. Robôs são velhos amigos da humanidade, mais uma modalidade de máquinas (as quais utilizamos desde a primeira alavanca pré-histórica), conhecidos desde o século XX. Em todos os níveis da sociedade, os robôs estão presentes. São especialmente úteis onde o homem não pode atuar pessoalmente: sondagem do espaço profundo, extração mineral em altíssimas profundidades, ambientes tóxicos ou hostis etc. Com um grau de avanço tecnológico quase mágico, a maioria dos robôs é simples, barata e eficiente, ainda que de obtusa capacidade criativa. Essa maioria tem apenas um simulacro de inteligência, baseada em parâmetros programáveis e previsíveis. Incapazes de aprender por si mesmos, sem interferência das exigências de sua própria programação. Algumas atividades se tornaram tão robotizadas que são gerenciadas até mesmo por robôs, sem um humano no processo. E é nesses meios que uma inteligência criadora e adaptável é necessária. Somente uma IA é capaz de inovar onde é necessário mais que uma análise lógica. Uma IA (supõe-se) pode se tornar sensível, desenvolver personalidade. Isso se tornou um enorme problema. Um problema de diversas ordens: juristas discutem se as IAs teriam livre arbítrio e imputabilidade; políticos, se poderiam votar; religiosos, se teriam alma! Felizmente, algo faz delas pouco numerosas: o altíssimo custo de seus cérebros; é necessário um investimento de ao menos dez dígitos para se desenvolver uma verdadeira IA. Cerca de uma centena de IAs está em operação atualmente, a maior parte voltada para os problemas de sustentabilidade da Terra e da exploração de outros planetas. A Ishtar não opera com uma IA, apenas com um eficiente computador que contola toda a nave e que mantém suporte de dados aos módulos. Pilota a nave enquanto os tripulantes hibernam em seu sono criogênico através do espaço.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Expansão do Universo

O universo se expande a uma velocidade de milhares de quilômetros por segundo (sua exatidão é dada pela Constante de Hubble). Porém, isso não faz as distâncias interestelares aumentarem, apenas aumentar o espaço entre os agrupamentos de galáxias, chamados Aglomerados Galácticos. Assim, a Via Láctea e a Galáxia de Andrômeda acompanham essa expansão, mas sem se distanciarem uma da outra. Contudo, a mais impressionante consideração acerca dessa expansão é sobre a natureza limitada ou ilimitada do universo, se o universo é "fechado" ou "aberto". Tais teorizações envolvem não só a Constante de Hubble, como também a Densidade Crítica do universo, que é difícil de ser constatada, pois depende da análise do Espectro de Radiação de Microondas de Fundo. Essa é a radiação que vaga por todas as direções desde o início dos tempos (Big Bang). É muito difícil medi-la devido a chamada Matéria Escura, ubíqua e invisível (talvez existente em maior quantidade que a matéria visível!). As análises sugerem que a densidade média do universo é inferior à Densidade Crítica e nesse caso, se a Constante de Hubble aumentar, pode significar que a expansão está em contínua aceleração, e portanto o universo seria "aberto", infinito. Se entretanto a densidade média for na verdade superior à Densidade Crítica (mais Matéria Escura), a Constante de Hubble diminuirá até alcançar valores negativos característicos de contração, o que fatalmente denotaria uma natureza limitada, "fechada" do universo. Num panorama desse tipo, dentro de dez bilhões de anos, toda matéria do universo se encontrará reunida numa Singularidade: um espaço muito pequeno, de densidade e temperatura virtualmente infinitas, no qual matéria e energia seriam indistinguíveis e o tempo não teria sentido; e tudo implodiria. Esse pode ter sido o mesmo fenômeno que propiciou o Big Bang, o início do próprio universo.

domingo, 4 de julho de 2010

A Deusa Ishtar

O nome do Astrocargueiro Ishtar vem de uma deusa da Mesopotâmia, mais especificamente da região da Acádia. Aliás, um é um nome bem comum dado a espaçonaves... Ishtar era cultuada entre centenas de divindades durante a Antiguidade no Oriente Médio. Nos primórdios dessa época, cada grupo étnico e cada cidade tinha seu próprio panteão, e era muito comum a assimilação e a tolerância religiosas: os deuses de uma cidade conquistada, por exemplo, podiam assumir novos postos entre os deuses dos conquistadores. Assim, ora Ishtar nos é apresentada como uma entidade estelar (também chamada de Astarte, no norte da Fenícia), ora aparece sincretizada com Inana, uma divindade lunar! A representação mais comum de Ishtar é a de uma mulher nua (às vezes alada) ladeada por leões e flores de lótus, e entre as suas atribuições estavam também o amor e a guerra. Quanto a nossa espaçonave, sua designação mais precisa é ACX Ishtar 480 H.

sábado, 3 de julho de 2010

A Vida Extraterrestre

A humanidade está sozinha no universo até agora. Nenhuma inteligência alienígena foi contactada, e nenhuma evidência de que isso possa acontecer foi encontrada. Obviamente há vida no espaço. Já são antigas as diversas utilizações científicas e técnicas dos diversos seres unicelurares e pluricelulares microscópicos coletados ou "ressuscitados" geneticamente de diversos astros. Mas nada além disso. E o homem vai se assenhorando de cada vez mais sistemas planetários em sua longa e lenta jornada subluz.

O Sistema de Educação Formal

Os indivíduos são formados por diversas instituições de fundamentações variadas (privada, pública, militar, religiosa etc.). A criança ingressa na Instrução Básica com cerca de seis anos de idade e, após nove anos, deve estar apta a ingressar no próximo nível. Com cerca de quinze anos, começa a cumprir a Instrução Média, de caráter técnico, que dura três anos. Esse nível de instrução oferece muitos cursos, como Mecânica, Eletrônica, Pilotagem e Comércio, sempre com um enfoque amplo e avançado, que garante a um jovem de dezoito anos muitas opções de emprego, desde no mundo dos negócios até na exploração espacial. E finalmente, pode-se cumprir o nível da Instrução Superior, de caráter acadêmico, de três anos de duração e com outros tantos cursos, como Astronomia, Medicina, História e Engenharia, propiciando profissionais a todo tipo de área de atuação, desde a dos serviços a da pesquisa e desenvolvimento. Independente do nível, os períodos são integrais, ou seja, o estudante permanece a maior parte do dia (cerca de seis horas) na instituição educacional. Há uma ou duas folgas semanais e regime de internato, dependendo do instituição. Também de acordo com a instituição, há dois ou três períodos de recesso marcando intervalos mais longos durante o ano. Alimentação, assistência médica, alojamento (em alguns casos) e recursos didáticos são normalmente incluídos. Estudantes excepcionais recebem bolsas de financiamento. As avaliações de final de nível são muito sérias e consideradas difíceis. As taxas de aprovação são maiores nos níveis iniciais e menores no nível superior, mas os estudantes podem tentar quantas vezes desejarem sem limite de idade. A renda de um indivíduo está diretamente ligada ao seu nível de instrução.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Gravidade e o Ser Humano

A gravidade de um ambiente no qual as gerações de um população vivem pode determinar algumas modificações adaptativas. Humanos criados num ambiente com gravidade maior que a da Terra (alta-G) tendem a ser mais fortes porém menos ágeis. Já os criados num ambiente com gravidade menor que a da Terra (baixa-G) tendem a ser menos fortes e mais ágeis. Ainda existem populações que passam quase vidas inteiras em gravidade zero (zero-G), o que lhes causa problemas médicos sérios, principalmente ortopédicos, dificultando sua readaptação a ambientes de gravidade normal. Os veículos e as instalações espaciais podem contar com simuladores de gravidade (ou gravidade artificial) para livrar desses problemas seus tripulantes e passageiros. Mas obviamente tais sistemas elevam custos materiais. Principalmente os trabalhadores pobres sofrem com a ausência desses simuladores em suas naves e estações.

As Subespécies Humanas

O Homo sapiens sapiens não é mais a única forma de ser humano. Séculos de manipulação genética depuraram duas novas subespécies: o Homo sapiens articulator e o Homo sapiens laborator. Os laboratoris foram desenvolvidos para se adaptarem melhor a longas jornadas de trabalho pesado, sendo por isso muito vigorosos; no entanto, têm menor propensão a se destacarem em atividades intelectuais complexas ou manuais precisas. Os articulatoris foram desenvolvidos para exercerem trabalhos manuais precisos e intelectuais complexos, tendo por isso bons raciocínio e destreza; sendo, no entanto, menos dispostos fisicamente. Nenhuma caracterísitica aparente difere as três; só testes com fundamentação genética podem revelar a subespécie de um indivíduo. Juridicamente não há diferenças entre elas, e punições por discriminação são previstas pela legislação, mas não são raras as situações de racismo. Há inclusive alcunhas pejorativas associadas às subespécies: os preconceituosos e intolerantes geralmente chamam os laboratoris de "mulas" e os articulatoris de "nerds"; em contrapartida, estes defendem-se chamando os sapiens de "macacos".

As Armas Lasers

Preteridas como armas pessoais devido a sua complexidade, volume, peso e custo, os lasers, no entanto, são as armas "leves" mais poderosas. São altamente restritas, de uso militar e para situações muitíssimo específicas. Seu disparo silencioso e invisível pode até perfurar o casco de espaçonaves. Uma pistola laser é uma arma bem grande, bem mais difícil de ser dissimulada do que uma pistola comum; e um fuzil laser lembra uma pequena bazuca. Os modelos militares mais conhecidos são o MLC2 (pistola) e o MLP1 (fuzil). Sofisticadas e precisas, tem alcance quilométrico. Mas a trajetória e o alcance dos disparos podem ser prejudicados por ambientes densos, como atmosferas de gases pesados, com vapor, sob chuva ou sob água. Inclusive, a granada de partículas pesadas (GRP) D11, que espalha uma nuvem ionizada num raio de alguns metros, pode desviar e até barrar um feixe de laser. O melhor ambiente para o uso das armas lasers é o vácuo espacial. As armas lasers contam (como as de fogo) com muitos recursos tecnológicos e acessórios (miras, sensores etc.); podem ser usadas como maçaricos em feixes contínuos para cortar materiais (o que consome muita energia); e são alimentadas por baterias que permitem uma quantidade limitada de disparos ou uso.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

As Armas de Fogo

Mesmo com séculos de avanço tecnológico e de exploração espacial, as armas de fogo não foram abandonadas. Seu mecanismo hoje é praticamente o mesmo de antigamente: a detonação de uma carga explosiva impulsiona um projétil (ou vários) por um tubo. Ainda que fabricadas com materiais mais leves e resistentes, que possuam acessórios avançados e que sejam mais precisas e poderosas, as pistolas, fuzis e metralhadoras são baratas, bem como sua munição. Se comparadas com armas laser, além de muitíssimo mais baratas, são menos complexas para produção, manuseio e manutenção. Também são mais seguras dentro das espaçonaves: por terem menor poder de penetração do que os lasers, as armas de fogo não atravessam os cascos. Atualmente, usam munição sem cápsula, em que o propelente e o projétil ficam integrados; a arma não ejeta cápsula deflagrada; todo o movimento de seus mecanismos é interno. As armas de fogo mais utilizadas militarmente são as pistolas M81 (8 mm) e M90 (10 mm) e o fuzil M65 (6 mm), todas equipadas com miras mecânicas e eletrônicas e contam ainda com uma gama de acessórios bem extensa.

Protocolo de Segurança 9-1/05

Esse é um procedimento padrão sob responsabilidade do comandante (piloto) de um módulo de carga da Ishtar. O protocolo 9-1/05 pode ser ativado verbalmente pelo piloto durante uma situação de motim. Nesse caso, ele pode usar sua senha secreta (validada pelo reconhecimento do protocolo pelo computador) e abrir um pequeno compartimento no console da cabine de comando. Dentro dele, há uma pistola M81 de 8 mm carregada.

Os Módulos de Carga

Os módulos de carga se enfileiram, conectados uns aos outros, na proa e na popa da Ishtar. Têm capacidade limitada de decolagens planetárias e reentradas atmosféricas, e também de viagens siderais longas. Foram projetados como naves de manobra e acoplagem, e não possuem qualquer armamento. Mas não são meros contêineres; são naves menores, ainda que de baixa autonomia. Um propulsor iônico principal realiza sua impulsão, e diversos propulsores líquidos auxiliares ajudam nas suas manobras. Como são enormes como prédios, estão equipados com sistemas de suporte vital completos e duráveis. Sua pequena tripulação poderia resistir ativa e isolada por anos dentro do módulo. Um piloto (oficial comandante com patente de tenente), um navegador (astrônomo graduado), um médico (militar ou civil) e um "carregador" (responsável técnico formado em eletrônica e mecânica) formam a equipe permanente. Durante a maior parte das viagem, a tripulação permanece em hibernação criogênica nas cápsulas da cabine de comando, sendo despertos apenas na aproximação do destino ou nas situações de emergência pelo computador da nave. Os módulos de carga possuem mais espaço interno e suportam mais carga do que um petroleiro.

O Astrocargueiro Ishtar

A Ishtar é um astrocargueiro que empurra e reboca módulos de carga enormes como prédios. Vista frontalmente a nave parece um X; mas com os módulos, sua aparência não é nada arrojada. Quatro fileiras quilométricas de módulos interligados na sua proa e mais quatro na sua popa fazem com que lembre uma enorme estação espacial. Propulsores iônicos nas extremidades de suas "asas" (ou pontas do X) movem a nave, abastecidos por um poderoso reator de fusão no seu interior. Seu casco é espesso, oferecendo um forte blindagem; mas Ishtar não conta com escudos de força, devido ao seu grande dispêndio de energia. No entanto, possui quatro torres de canhão laser, uma a bombordo, uma a estibordo, uma no topo e uma no fundo de seu casco principal (entre as hastes do X). De seu hangar principal, na parte traseira, também podem partir quatro caças de curto alcance, propelidos por combustível líquido e armados de lasers fixos e mísseis. A missão do astrocargueiro Ishtar não é militar. Partirá para colonizar outros sistemas planetários da Via Láctea.